A Reforma Tributária saiu do campo do planejamento e entrou na fase da execução. Ainda em 2026, as empresas precisam adaptar processos, sistemas e decisões estratégicas para garantir uma transição segura ao novo modelo de tributação do consumo.
Quem trata esse movimento apenas como uma obrigação fiscal corre o risco de enfrentar problemas em diversos âmbitos do negócio: perda de créditos tributários, rejeição de notas fiscais, aumento de custos, redução da competitividade, entre outros.
Neste artigo, reunimos um Checklist Prático da Reforma Tributária com as principais ações que sua empresa deve realizar este ano a fim de reduzir riscos e aproveitar oportunidades.
Por que 2026 é o ano decisivo para a Reforma Tributária?
A Reforma Tributária sobre o consumo, instituída pela Emenda Constitucional nº 132/2023 e regulamentada pela Lei Complementar nº 214/2025, iniciou sua fase de transição em 2026.
O novo modelo substitui gradualmente cinco tributos atuais (PIS, COFINS, IPI, ICMS e ISS) por um modelo de IVA Dual, formado pela CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços, tributo federal) e pelo IBS (Imposto sobre Bens e Serviços, tributo estadual e municipal).
Embora as alíquotas estabelecidas para este ano para este ano sejam apenas de teste (0,9% para CBS e 0,1% para IBS), as regras operacionais passam a produzir efeitos imediatos. É nesse período que empresas começam a validar sistemas, revisar cadastros, reorganizar fornecedores e adaptar sua estratégia tributária para os próximos anos.
Em outras palavras: 2026 é o ano em que se constrói a eficiência tributária de 2027 e dos anos seguintes.
Checklist Reforma Tributária 2026
A seguir, os nove pontos que sua empresa precisa endereçar ainda em 2026 para reduzir risco e preservar margem durante a transição.
1. Adeque a emissão de notas fiscais para CBS e IBS
O que mudou: empresas enquadradas no Lucro Real e no Lucro Presumido precisam garantir que seus sistemas estejam preparados para preencher corretamente os novos campos de CBS e IBS na Nota Fiscal Eletrônica (NF-e) e na Nota Fiscal de Consumidor Eletrônica (NFC-e).
Embora estivesse prevista a aplicação de regras de validação que poderiam impedir a autorização de documentos emitidos sem essas informações, em agosto de 2026 a Receita Federal e o Comitê Gestor do IBS (CGIBS) anunciaram a flexibilização dessas regras, suspendendo as rejeições relacionadas à ausência dos campos de CBS e IBS.
A medida integra o período de transição para implementação dos novos tributos e não afasta a necessidade de adequação dos sistemas e processos às novas exigências da Reforma Tributária, que seguem cronograma próprio de implementação.
O que fazer: verifique se a emissão da NF-e e da NFC-e já contempla corretamente os campos de CBS e IBS e realize testes de validação antes da obrigatoriedade. Também é importante revisar os procedimentos internos de faturamento e capacitar as equipes responsáveis pela emissão dos documentos fiscais.
Leia também: Como adequar NF-e e SPED Fiscal às novas regras da Reforma Tributária
2. Atualize o cadastro de produtos e a classificação fiscal (NCM)
O que mudou: o novo modelo de tributação exige maior nível de detalhamento das informações fiscais vinculadas a cada item. Além da correta classificação pelo NCM, é necessário revisar também os códigos utilizados para identificar o tratamento tributário aplicável, como CST e cClassTrib. Cadastros desatualizados ou parametrizações incorretas podem resultar em cálculo inadequado dos tributos, erros na emissão dos documentos fiscais e no aproveitamento de créditos.
O que fazer: revise o cadastro de produtos, valide a classificação fiscal e verifique se NCM, CST, cClassTrib e demais informações utilizadas pelos sistemas fiscais estão corretamente parametrizados. A consistência entre esses dados será essencial para o cálculo da CBS e do IBS, para a emissão dos documentos fiscais e para o correto tratamento dos créditos durante a transição.
3. Parametrize e atualize seus sistemas de gestão (ERP)
O que mudou: A Reforma Tributária exige mudanças que vão muito além da emissão da nota fiscal. Sistemas de gestão (ERP), faturamento, compras, estoque, fiscal e financeiro precisarão ser parametrizados para suportar a nova lógica de tributação, cálculo de créditos, regras de validação e integração com os documentos fiscais.
O que fazer: mapeie todos os sistemas que possuem impacto fiscal e confirme, junto aos fornecedores de tecnologia, o cronograma de atualização para a Reforma Tributária. Além da instalação das novas versões, será necessário revisar parametrizações, regras tributárias, cadastros, integrações e realizar testes em ambiente controlado antes da entrada em produção. Esse trabalho deve envolver as áreas de TI, fiscal, contábil e financeira para garantir que os processos funcionem de forma integrada.
4. Defina o regime tributário para 2027
O que mudou: entre 1º e 30 de setembro de 2026, empresas optantes pelo Simples Nacional terão que definir como será o recolhimento da CBS em 2027. A empresa poderá permanecer com a tributação integralmente dentro do Simples Nacional ou optar pelo recolhimento desses tributos pelo regime regular (“por fora”), o que pode resultar em diferenças no valor dos créditos tributários aproveitados por seus clientes.
Essa escolha impacta diretamente a competitividade dos negócios, principalmente para empresas B2B, já que o montante de crédito gerado ao cliente pode variar conforme a forma escolhida para recolhimento da CBS.
O que fazer: avalie, juntamente com as áreas tributária, financeira e comercial, qual modelo gera maior competitividade para o seu negócio e para seus clientes. Antes da formalização da opção, projete cenários considerando carga tributária, aproveitamento de créditos, perfil da carteira de clientes e impactos financeiros da decisão.
5. Revise fornecedores para proteger seus créditos tributários
O que mudou: no novo modelo, a apropriação de créditos de CBS e IBS está vinculada à regular extinção dos débitos correspondentes à operação, o que aumenta a importância da correta emissão dos documentos fiscais e da conformidade tributária dos fornecedores.
O que fazer: revise os procedimentos de cadastro, contratação e acompanhamento de fornecedores e verifique se os documentos fiscais recebidos estão corretamente emitidos e parametrizados. Informações incorretas sobre a operação ou sobre os tributos podem gerar inconsistências na apuração e comprometer o aproveitamento dos créditos.
6. Mapeie os créditos tributários permitidos
O que mudou: a sistemática de não cumulatividade da CBS e do IBS amplia a possibilidade de apropriação de créditos nas aquisições de bens e serviços, observadas as hipóteses, requisitos e vedações previstos na legislação. Entre as principais restrições estão as operações relacionadas a bens e serviços considerados de uso ou consumo pessoal.
O que fazer: revise os processos internos e mapeie as aquisições que geram direito a crédito de acordo com a legislação, identificando também eventuais restrições ou tratamentos específicos. Esse levantamento deve estar refletido nas parametrizações fiscais e nos controles da empresa, para que os créditos sejam apropriados de forma correta e com segurança.
7. Acompanhe a Apuração Assistida da CBS
O que mudou: a CBS contará com um modelo de apuração assistida, no qual a Receita Federal consolidará informações de débitos e créditos a partir dos documentos fiscais eletrônicos e de outros dados disponíveis no sistema. Em 2026, esse ambiente também tem papel importante na preparação e validação dos processos para a entrada efetiva do novo tributo.
O que fazer: acompanhe periodicamente a Apuração Assistida e confronte os débitos e créditos apresentados com os documentos fiscais e controles internos da empresa. Esse acompanhamento permite identificar divergências, falhas de parametrização ou informações incorretas com antecedência e ajustar os processos antes da consolidação definitiva da nova sistemática.
8. Recalcule preços e margens
O que mudou: os impostos deixam de ficar “escondidos” dentro do preço. Em 2026, já aparecem destacados separadamente na nota; em 2027, fica explícito o que é receita da empresa e qual é a parcela relativa aos tributos incidentes sobre a operação.
O que fazer: revise sua formação de preços considerando a nova lógica de créditos de CBS e IBS, os impactos na cadeia de fornecedores e o destaque dos tributos nos documentos fiscais. A precificação passa a depender da eficiência tributária da operação, tornando indispensável a realização de simulações para preservar margem, competitividade e transparência nas negociações.
9. Recupere créditos tributários antes da transição
O que mudou: a preparação para a Reforma Tributária mobiliza equipes, revisa processos, cadastros e operações fiscais. Esse momento também representa uma oportunidade para analisar se a empresa está aproveitando corretamente os créditos tributários previstos na legislação vigente. Em muitos casos, valores recolhidos indevidamente ou créditos não aproveitados ainda podem ser recuperados, respeitados os prazos legais.
O que fazer: realize um diagnóstico da apuração tributária dos últimos cinco anos para identificar oportunidades de recuperação de créditos antes da consolidação do novo modelo. Além de gerar ganho financeiro, essa revisão permite iniciar a transição para a Reforma Tributária com maior segurança e uma base fiscal mais consistente. Veja o passo a passo completo clicando aqui.
O que acontece se sua empresa não cumprir o Checklist da Reforma Tributária 2026?
No curto prazo, os principais riscos são operacionais: erros na emissão de documentos fiscais, inconsistências de parametrização e divergências na apuração podem comprometer o faturamento e exigir correções nos processos internos. No médio prazo, os impactos podem alcançar custos, margens e competitividade, especialmente quando a empresa não revisa sua cadeia de fornecedores, a apropriação de créditos e sua formação de preços.
A adequação à Reforma Tributária é um processo contínuo e antecipar testes, revisões e ajustes ao longo de 2026 reduz o risco de falhas operacionais e financeiras à medida que as novas regras entram em vigor.
Conclusão
A adaptação à Reforma Tributária exige muito mais do que cumprir novas obrigações fiscais. É um processo que envolve estratégia, revisão de operações, adequação de sistemas, análise de impactos financeiros e tomada de decisões que podem influenciar a competitividade da empresa nos próximos anos.
A EVOUTAX é uma consultoria especializada em Reforma Tributária e apoia organizações em todas as etapas dessa transição, desde o diagnóstico dos impactos e a definição da estratégia até a implementação das mudanças necessárias. Se sua empresa busca uma adequação segura, eficiente e orientada por especialistas, entre em contato com nossa equipe e descubra como podemos apoiar essa jornada.
