Tradicionalmente, o mês de janeiro é o período em que empresários e contadores definem o regime tributário para o ano que se inicia. No entanto, a Reforma Tributária trouxe uma quebra nesse padrão histórico. De acordo com a Resolução CGSN nº 186/2026, as empresas do Simples Nacional precisarão decidir seu futuro tributário para 2027 ainda no terceiro trimestre de 2026.
Essa mudança não é meramente operacional; ela é estrutural. A antecipação do cronograma está diretamente conectada a outras movimentações da Receita Federal em 2026, como a intensificação das notificações para regularização de débitos. O recado é claro: o planejamento tributário para 2027 não pode esperar o final do ano.
O que mudou no Simples Nacional para 2027 com a Reforma Tributária?
A principal mudança estabelecida pelo Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN) é o deslocamento da janela de decisão. Para garantir a transição harmônica para o novo sistema tributário, o governo federal antecipou os prazos de opção.
Baseada na Resolução CGSN nº 186/2026, a norma oficial estabelece que a escolha pelo regime não será mais feita de forma isolada em janeiro, mas sim em conjunto com a definição sobre o recolhimento dos novos tributos sobre o consumo: o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços).
Qual é o novo prazo para optar pelo Simples Nacional em 2027?
Para as empresas já em atividade, o período para formalizar a opção pelo Simples Nacional para o ano-calendário de 2027 será de 1º a 30 de setembro de 2026.
Diferente do modelo tradicional, onde a empresa tinha até o último dia útil de janeiro, em 2026 o ciclo de decisão foi antecipado em quatro meses. Aqueles que perderem este prazo ou possuírem pendências não regularizadas até a data limite poderão enfrentar restrições para o enquadramento em 2027.
O que a empresa precisa decidir entre 1º e 30 de setembro de 2026?
Durante este novo prazo, o contribuinte terá que tomar decisões simultâneas que impactarão diretamente sua carga tributária e sua competitividade:
- Permanecer ou não no Simples Nacional: Avaliar se o regime simplificado continua sendo a melhor opção diante das novas alíquotas da transição tributária.
- Escolher o modelo de tributação do IBS e da CBS: Pela primeira vez, a empresa do Simples terá que decidir como quer tratar os tributos de valor agregado. As opções são o Modelo Padrão (recolhimento unificado no DAS) ou o Modelo Híbrido (recolhimento regular do IBS e CBS por fora do Simples).
Como funciona a escolha entre os modelos de recolhimento (IBS e CBS)?
A decisão técnica mais relevante neste período de adesão é a forma de apuração dos novos impostos:
- Modelo Padrão: o IBS e a CBS são recolhidos dentro da guia única do Simples Nacional. A vantagem é a simplificação burocrática, porém, a empresa não gera créditos integrais para seus clientes na cadeia produtiva.
- Modelo Híbrido (Regime Regular): a empresa permanece no Simples para tributos federais (como IRPJ e CSLL), mas opta por recolher o IBS e a CBS pelo regime de não cumulatividade (por fora da guia única). Isso permite que a empresa transmita créditos integrais aos seus clientes, um fator decisivo para quem vende para outras empresas (B2B).
Por que essa decisão foi antecipada para 2026?
A antecipação é um reflexo direto da implementação da Reforma Tributária. O sistema de arrecadação do IBS e da CBS exige que o enquadramento dos contribuintes esteja consolidado antes do início do ano-calendário de 2027, permitindo que a plataforma de pagamentos e a geração de créditos nas notas fiscais eletrônicas funcionem corretamente desde o primeiro dia de janeiro.
Atenção: Receita Federal já iniciou movimentações em 2026
Historicamente, as notificações para exclusão do Simples por débitos ocorriam no final do segundo semestre. Em 2026, a Receita Federal antecipou esse ciclo. O objetivo é garantir que as empresas regularizem suas pendências antes do prazo de adesão em setembro. Portanto, estar com a situação fiscal em dia tornou-se o primeiro passo obrigatório do planejamento tributário deste ano.
O que sua empresa deve fazer agora?
Para não ser pego de surpresa pelo novo calendário do Simples Nacional em 2027, as iniciativas recomendadas são:
- Revisar a situação fiscal e cadastral: verifique pendências no e-CAC.
- Regularizar débitos: aproveite os prazos de regularização para evitar o impedimento da opção em setembro.
- Avaliar a permanência no Simples Nacional: certifique-se se o regime continua sendo vantajoso diante das mudanças da Reforma Tributária, considerando impactos na carga tributária, perfil de clientes, cadeia de fornecedores e posicionamento da empresa no mercado.
- Realizar simulações tributárias: analise se o modelo híbrido é necessário para manter a competitividade com seus clientes B2B.
- Estruturar o planejamento: antecipe a análise de custos com fornecedores para entender o impacto dos novos créditos.

Análise Individualizada: O único caminho seguro para 2027
A escolha pelo melhor regime e modelo em 2027 depende de uma análise multifatorial que envolve o perfil de seus clientes, sua posição na cadeia de suprimentos e seu setor de atuação. O que é vantajoso para um comércio varejista pode não ser para uma indústria ou prestador de serviços.
A decisão tomada em setembro de 2026 impactará os resultados de todo o ano de 2027. Na EVOUTAX, realizamos análises estratégicas e simulações personalizadas utilizando ferramentas automatizadas para garantir que sua empresa escolha o caminho de maior segurança jurídica e economia tributária. Agende um horário com nossos especialistas.
Fonte Oficial:
Receita Federal: CGSN define prazos de opção pelo Simples Nacional
